Meta description: A inteligência artificial está aproximando Marketing e tecnologia e criando uma nova geração de profissionais capazes de testar e construir soluções. Entenda quais competências ganham espaço.
Durante muito tempo existiu uma divisão bastante clara dentro das empresas. O Marketing tinha ideias. A tecnologia ajudava a colocá-las de pé.
Uma área pensava a campanha, desenhava a jornada, criava conceitos e identificava oportunidades. Quando alguma coisa exigia desenvolvimento, integração de dados ou automação, entravam profissionais especializados.
A inteligência artificial começou a diminuir essa distância.
Hoje, um profissional de marketing consegue analisar dados, criar automações, testar hipóteses e até desenvolver protótipos sem necessariamente dominar programação da mesma forma que um desenvolvedor.
Isso não transforma todo profissional de marketing em programador.
Mas transforma aquilo que ele é capaz de fazer.
Durante o CMO Summit 2026, Leonardo Secundo, ex-diretor de Marketing e Growth da Alura, resumiu essa mudança dizendo que o profissional está deixando de atuar apenas no campo da campanha para se tornar também um builder, alguém capaz de construir e testar soluções. Mundo do Marketing
É uma mudança importante porque a IA não está apenas acelerando tarefas existentes.
Ela está ampliando os limites da função.

Saber usar ChatGPT não significa saber usar IA
Existe uma diferença enorme entre ter acesso à inteligência artificial e incorporá-la ao trabalho.
Hoje praticamente qualquer equipe consegue abrir uma ferramenta, pedir um texto, resumir um documento ou gerar uma imagem.
Isso é uso.
Mas não necessariamente é transformação.
Segundo Secundo, 67% dos gestores, profissionais de Marketing e líderes dizem utilizar IA, enquanto apenas 7% afirmariam saber efetivamente como ela funciona. O dado apresentado durante o CMO Summit ajuda a mostrar o tamanho dessa distância. Mundo do Marketing
O mercado avançou rapidamente na adoção.
Agora precisa avançar na maturidade.
Porque saber escrever um prompt não é o ponto final dessa transformação.
É provavelmente o começo.
O profissional de marketing começa a construir
Um dos exemplos apresentados no evento mostra bem essa mudança.
Depois de enfrentar uma experiência frustrante com uma empresa de saúde, na qual diferentes atendimentos pareciam começar sempre do zero, Secundo percebeu um problema conhecido por muitas empresas: existiam dados sobre o cliente, mas eles estavam espalhados por diferentes pontos de contato.
Com auxílio da IA, ele desenvolveu um protótipo capaz de reunir essas bases e criar uma visão mais integrada do consumidor. Segundo seu relato, o processo levou duas semanas. Um desenvolvedor provavelmente faria aquilo muito mais rapidamente, mas essa não era a questão. Mundo do Marketing
O mais importante era que alguém de Marketing conseguiu identificar um problema e construir uma primeira solução para testar a hipótese.
Essa possibilidade muda bastante a dinâmica dentro das empresas.
Antes, uma ideia podia entrar em uma fila de desenvolvimento e esperar semanas até ser testada.
Agora, determinadas hipóteses podem ganhar uma primeira versão rapidamente.
Marketing deixa de apenas solicitar.
Começa também a experimentar.

A criatividade continua importante. Só não é mais suficiente.
A inteligência artificial não diminui a importância da criatividade.
Ela aumenta a quantidade de coisas que podem ser feitas a partir dela.
Um profissional pode ter uma boa ideia e criar uma primeira interface.
Pode identificar um processo repetitivo e testar uma automação.
Pode encontrar um padrão nos dados e construir uma maneira diferente de visualizá-lo.
Pode criar uma campanha e desenvolver rapidamente diferentes versões para testar.
O repertório começa a mudar.
Estratégia, criatividade e comunicação continuam importantes, mas passam a conviver com dados, automação, experimentação e conhecimento tecnológico.
É nesse ponto que a chamada AI Literacy, mencionada na reportagem, ganha relevância. Não basta conhecer nomes de ferramentas. É preciso desenvolver capacidade para entender onde a tecnologia faz sentido e como aplicá-la a problemas reais. Mundo do Marketing
Ter mais ferramentas não significa ter uma equipe mais avançada
Existe uma corrida silenciosa acontecendo dentro das empresas.
Qual IA estamos usando?
Qual ferramenta nova precisamos contratar?
Qual plataforma o concorrente adotou?
É fácil confundir quantidade de tecnologia com maturidade digital.
Uma equipe pode ter cinco ferramentas de IA e continuar utilizando todas apenas para produzir textos.
Outra pode utilizar uma única solução para automatizar um processo que antes consumia dezenas de horas por mês.
Qual delas está mais avançada?
A resposta provavelmente não está na quantidade de assinaturas.
Está no problema resolvido.
Esse é um dos pontos centrais da discussão apresentada no CMO Summit: acumular plataformas sem domínio real pode criar uma sensação de evolução sem necessariamente gerar valor. Mundo do Marketing
Tecnologia só se transforma em vantagem quando entra na operação.
A liderança também precisa mudar
Se a IA permite que mais pessoas experimentem, a liderança precisa criar espaço para isso acontecer.
Não adianta pedir inovação para uma equipe cuja agenda está completamente ocupada com entregas.
Experimentar exige tempo.
Também exige permissão para errar.
Secundo defendeu iniciativas como desafios e hackathons internos e a reserva de parte da jornada para que profissionais possam desenvolver soluções relacionadas à produtividade. Mundo do Marketing
Esse talvez seja um dos pontos menos discutidos sobre transformação digital.
Comprar tecnologia é relativamente simples.
Construir uma cultura que saiba experimentar com ela é muito mais difícil.
O diferencial não será ter IA
Em pouco tempo, praticamente todas as empresas terão acesso às mesmas tecnologias.
As mesmas plataformas. Modelos semelhantes. Automações parecidas.
Isso significa que possuir inteligência artificial dificilmente será um diferencial sustentável.
O diferencial estará nas pessoas que sabem o que fazer com ela.
Quem consegue identificar um problema melhor.
Quem faz uma pergunta melhor.
Quem conecta informações que estavam separadas.
Quem testa mais rápido.
Quem entende o consumidor.
Quem transforma tecnologia em algo útil.
A IA reduz algumas barreiras técnicas.
Mas não elimina a necessidade de pensamento.
Talvez faça exatamente o contrário.
Conclusão
A inteligência artificial deu ao Marketing uma capacidade que durante muito tempo esteve distante da área: transformar ideias em protótipos com muito menos intermediários.
Isso muda processos. Muda equipes. E muda o perfil do profissional.
O profissional de Marketing não deixará de ser criativo. Não deixará de contar histórias. Não deixará de construir marcas.
Mas provavelmente terá de aprender a fazer algo que antes conseguia terceirizar com mais facilidade. Construir.
Porque quando todos têm acesso às mesmas ferramentas, a vantagem deixa de estar na tecnologia.
Passa a estar em quem sabe transformá-la em alguma coisa.
Bruno Santos
Diretor Comercial e estrategista digital Especialista em consultoria estratégica, identifico tendências de mercado e analiso o comportamento do consumidor e da concorrência para criar soluções personalizadas. Minha abordagem foca em desenvolver estratégias de mídia (orgânica, Ads, online e offline) que geram lucros e resultados tangíveis.